O beco
                                                                      
                                                                         A mais uma Maria da vida, bem desobediente
 

          “Vai com jeitinho, você vai gostar”; “uma hora dá certo”; “daqui a pouco ele vai te largar, para de frescura”. As amigas do tempo de ensino médio, vira e mexe, apareciam com esse papo. Meses de encheção, no café, no bar, entre uma e outra cerveja. Na real, ela tinha certeza que não ia rolar, ainda mais com seu namoradinho, bom moço, mas a quem faltava pegada, como ouvira de uma colega certa vez.
        Marina preferia tomar cerveja com as amigas mais velhas, do trabalho, que contavam histórias danadas e intensas. Ficava horas ouvindo, entre um copo e outro, as peripécias, maluquices e delícias daquelas mulheres de mais de trinta. Nunca a pressionavam com nada, sequer a constrangiam com perguntas indiscretas. Os encontros eram falavam sobre mil coisas, das quais umas novecentas eram sobre sexo, desejos, fantasias tal como os homens fazem quando estão juntos. As outras cem eram sobre as dores de amor, solidão, desencontros.
        Entre um gole e outro, entre uma história e outra com as amigas, Marina pensava no seu namoro, já meio casamento, indo para o terceiro ano.  
        A história dos dois era até comum para a época. Se conheceram numa festa na escola, ela o achou interessante e inteligente, cabeça aberta. Na sua fantasia, então, ele seria bom na cama, na fama, na lama, até em Amsterdam para adaptar o velho Chico.
        Uma semana depois do primeiro encontro, o sexo rolou; nada espetacular, mas um pouco acima da média.
        As semanas se passavam, e os encontros se repetiam. Resolveram, alguns meses depois, zerarem a distância juntando livros, roupas, vinis, cds e afins, naquele final de século e começo de outro.
        Em uma tarde boba de domingo, os dois no sofá, Marina lembrou de um filme que uma das amigas do bar lhe havia emprestado jurando ser legalzinho, nada demais. Toparam assisti-lo para encarar o tédio. Pegou sua bolsa e, com o filme em mãos, ligou o pequeno aparelho já quase fora de moda, inserindo o disquinho. Por alguns segundos, o único barulho na sala era o objeto rodando e sendo lido pelo dvd.
        Os primeiros dez minutos do filme pareciam sem muito sentido, mas, para surpresa do casal, uma reviravolta mudaria tudo. As cenas começaram a ficar intensas, quentes, para não dizer quase exóticas de tão diferentes que eram com o começo da película. Para melhorar ou piorar, passavam a fazer todo sentido com a história do filme.
        Ela tentava disfarçar, porém se excitava mais e mais: o filme ia pegando fogo, começou a lembrar das putarias tão diferentes contadas pelas amigas muito parecidas  com as do filme. Sentiu seu corpo molhar, bicos duros roçando na camiseta branca de algodão, imitação barata da Hering.
        Tocou de leve com a mão na coxa de seu namorado, passando a apertá-la com mais força. Beijou seu bíceps tatuado quase revolucionário. Ajoelhou-se à sua frente, tirou seu calção, única peça vestida naquele domingo abafado. O moço já estava hirto, como diriam os antigos, deveras hirto. Ela o engoliu sem demora, ele se contraía levemente até não aguentar mais e agarrar sua nuca com força para dominá-la.
        Após deixá-lo bem revirado, ela desceu lentamente sua boca para a base, depois as bolas. Deslizou a língua mais para baixo quando o revolucionário, num rompante, pula do sofá sem mais nem menos, vai até o dvd e para o filme, irritado com a ousadia da namorada.
        Ao longo da semana, as conversas entre os dois foram raras e ninguém tocava no assunto.
        Interrompida em seu desejo, Marina passou a entender com o passar dos dias aquela sensação contraditória de excitação com as histórias das amigas do bar e o roteiro quase sempre previsível com seu homem engajado nas ideias, fechado nos costumes.
        Definitivamente, realizar o desejo dele, tão cobrado pelas amigas novas, não seria uma revolução na vida de Marina. Revolução era viver seu desejo naquela tarde do filme: ir bem mais além do que a revolução apontava...
        O namoro duraria mais dois meses, enquanto o país era dia a dia quebrado pelos gênios neoliberais. A relação com seu namorado seguia o mesmo ritmo nacional e descia a ladeira sem freio rumo ao abismo.
        Naquela sexta-feira, final de tarde, após ouvir a porta batendo com força, ela se jogou no mesmo sofá, meses antes quase um palco de uma revolução, frustrada por seu líder. Ali ficou chorando por algum tempo.
        Semanas depois, sem nenhum contato do rapaz, notou que os defeitos mais do que superavam as qualidades alegadas do moço. Sentiu-se leve por não ter mais de lidar com aquela situação.
        Para as amigas do tempo de colégio, fissuradas no anal acima de tudo e de todos, inventaria uma ótima desculpa para não mais encontrá-las. Com as mais velhas amigas do bar, sairia pela última vez para rir, contar do episódio patético do sofá com o ex, e de sua inexperiência naquele mundinho dos prazeres.
        Todas se divertiram muito, se surpreenderam e elogiaram a ousadia de Marina, ainda que abortada pelo seu então namorado assustado.
        Decidira se mudar para a capital. Sua boa formação em línguas não tinha grande serventia para aquela cidade pequena.
        Aproveitou uma viagem de fim de semana de seus pais para arrumar suas coisas; malas quase feitas sobre a cama, teve uma estranha vontade de levar alguns poucos objetos de sua infância, fotos, um ou outro livro. Foi até o quartinho da bagunça, sentiu o insuportável cheiro da memória, mas não o abafou, contrariando o poeta.
        Ao mexer em um armário bastante antigo, notou um caderno de capa avermelhada gasta pelo tempo. Parecia que alguém tentara escondê-lo. Com cuidado, puxou as tábuas sobrepostas, puxou o volume e, ao abri-lo, percebeu tratar-se de um diário de sua querida tia avó Marcella, falecida há um bom tempo, que nascera em Roma no começo dos anos 1920, e que fugiria para o Brasil após o início da guerra.
        Saiu do quartinho com o volume em mãos. Foi para a cozinha, fez um café e, enquanto o sorvia, folheava as páginas em italiano, língua que ela aprendera em casa com os avós e depois estudara com uma professora particular por insistência de sua mãe, até ir para a faculdade e se formar como intérprete e tradutora.
        No diário, havia cerca de trinta fotos, quase todas de piquetes e greves em frente a fábricas italianas e brasileiras. Uma, em especial, chamaria a sua atenção: um grupo de operários na porta de uma fábrica, frio, toucas, sobretudos, botas. Na imagem, trabalhadores em greve em pé posando para a câmera. Porém, o destaque eram duas mulheres no primeiro plano da cena.
        Apesar das vestes pesadas, duas mechas da mais jovem e mais bonita caíam ao lado da orelha; em sua bochecha havia uma pequena pinta que lhe dava um charme aos grandes olhos pretos e vivazes junto com uma boca carnuda. Impossível não reconhecer a pinta: aquela linda ragazza era sua tia Marcella, se muito com vinte anos, abraçada pela cintura por uma mulher poucos anos mais velha, tão linda quanto sua tia.
        Alguns homens da fotografia eram bem interessantes. Apesar dos grossos casacos,  notava-se o peito e os braços fortes devido ao trabalho pesado da fábrica. Eram por volta de dez rapazes, dois deles usavam apenas camisa de mangas longas brancas, e coletes de algo como lã. Todos aqueles operários estavam a uma distância respeitosa das mulheres na foto. Estavam em greve, mas aquelas pessoas riam, riam com uma fé no futuro, na vida, na concretude da vida. Pela posição que Marcella ocupava na imagem, ficou claro para Marina que sua tia fora uma líder anarquista.
        No verso da foto, Marina viu a seguinte inscrição: “Roma, novembre 1937, miei compagni di lotta”.
Aos poucos fora se acostumando com a letra e o vocabulário da autora, mas os assuntos em geral eram muito ligados à política da época, algumas palavras se repetiam: fascisti, lavoro, combattimento, resistenza...
        Após a leitura de boa parte do diário, passou a desconfiar que aquela mulher na foto, ao lado da tia Marcella, tinha sido o grande amor de sua vida. Era a famosa “amica”, de quem ela falava aos domingos, após o almoço, quando contava histórias de sua juventude em Roma.
        Somente agora, aos vinte e cinco anos, a sobrinha conseguia entender o porquê de sua avó Claudia, ultracatólica, discutir tanto com a irmã Marcella, anarquista.
        Sua tia Marcella falecera quando ela era muito jovem, apenas doze anos. Morava com uma amiga já muito idosa em uma cidade a uma hora de carro dali, em uma colônia que virara cidade, mas que mantinha muito da vida e dos costumes de seus fundadores.
        Rigorosamente, uma vez ao mês, tia Marcella vinha almoçar com Marina e seus pais. Às vezes passava o fim de semana e, num português bastante italianado, falava na mesa do almoço de temas políticos, cinema, literatura, luta de classes, música, vinhos e, para desespero da família, até de homens e amores. Apesar dos temas tensos, ela conseguia encantar a todos com sua ternura e bom humor.
        De repente, Marina lembrou que, ao se despedir da família nos finais daqueles domingos, tia Marcella religiosamente tocava com carinho na ponta de seu queixo, olhava fundo em seus olhos e dizia para ela estudar, para ser uma “donna libera”. Criança que era, não entendia bem o sentido daquilo, mas achava lindo o som das duas palavras.
        Conforme a leitura do diário avançava, encontrou um pequeno envelope colado junto a uma página; abriu com cuidado e encontrou algumas poucas páginas que pareciam ter sido arrancadas do volume. Naquelas folhas à parte, tia Marcella narrava trepadas homéricas com operários e operárias nos banheiros, refeitórios, escritórios e almoxarifados da fábrica. Segundo a autora do diário, algumas das supervisoras, sempre temidas no pátio da fábrica, também participavam da farra, aliás, eram as mais submissas: adoravam ficar com os rabos brancos e torneados bem marcados por cintadas desferidas revolucionariamente pelas operárias, de preferência pelas anarquistas, o que aumentava ainda mais o tesão das supervisoras. O barulho das máquinas abafava a vida explodindo nas carnes.
        Em registros do diário do ano de 1945, já no Brasil, sua tia também revelava surubinhas feitas às margens do rio Tietê com rapazes que remavam em um dos clubes da classe alta da cidade. Em outro, de 13 de junho de 1949, conta como transou com dois maquinistas na oficina da estação da Luz. A autora da façanha ironicamente fez uma anotação engraçada: “viajando a todo vapor”.         Naquela data, aquela estranha e corajosa mulher contava como tinha literalmente dado o rabo, sim, o famigerado e desejado cu em plena madrugada gelada de São Paulo em um sábado. E com convicção pelo visto. L
        Marina começou a ficar meio confusa e também excitada com o que lia. Havia outras e mais outras histórias de sua tia Marcella, em que contava as posições, os locais, sem falar das transas com figuras ilustres da alta sociedade paulistana.
        Até então, nada do que a jovem sabia sobre esse mundo misterioso da putaria se comparava com o diário em suas mãos: as amigas do colégio fissuradas em sexo anal para manter o namoro com machos ruins; as histórias até então muito cabeludas das amigas descoladas do bar; o filme erótico com o ex-namorado, que ela sequer terminara de assistir, tudo isso parecia contos de fadas. Boccaccio nos trópicos, pensara ela.
        Ficou absorta por quase três horas lendo o diário. Guardou-o em sua bolsa como quem guarda um tesouro. Uma semana após o retorno de seus pais, mudou-se para a capital para trabalhar como tradutora técnica em uma empresa italiana.
        No dia da viagem para a cidade grande, enquanto se espreguiçava, sozinha, na confortável poltrona do ônibus, pensava se sua pouca experiência nos prazeres mundanos não teria a ver com a mãe super católica, mais beata do que o papa naquela virada de milênio, ou, talvez, com o pai omisso, ou, ainda, com as tias que faziam reuniões para vender e comprar maquiagem, potes de vidro, lingeries, as quais, entre um café e uma fatia de bolo, juravam de pé junto que arrumariam um marido para a sobrinha mais linda e mais inteligente da família.
        Em poucos dias na capital, já trabalhando, conseguiu alugar um pequeno apartamento a poucos quarteirões da empresa: podia ir caminhando e ver a arquitetura sedutora da cidade. Na segunda semana, ao andar por uma avenida tomada de prédios antigos notou alguns becos entre eles. Um, em especial, chamou-lhe a atenção por ser mais largo, mais limpo e organizado.
        Em uma sexta-feira, saíra uma hora mais tarde, começava a escurecer, mas quis ir a pé, o tempo estava agradável. Ao passar pelo mesmo beco que lhe chamara a atenção, estancou em sua entrada e ficou observando o alto dos prédios, suas escadas de incêndio, as lixeiras grandes com rodinhas, dispostas em ziguezague. Notou algo estranho a uns vinte metros adiante: uma das grandes lixeiras balançava discreta e continuamente.
        Olhou em volta de si, pessoas passavam por ela, já em número mais escasso do que o horário comercial, o comércio fechava suas portas. Resolveu entrar no beco, sentia um medo, um leve tremor na espinha se espalhou por seu corpo. Continuou a caminhar, olhando para trás, por vezes.
        Sua excitação ia se movendo conforme entrava no beco, via com mais nitidez o balançar da grande lixeira, começou a escutar gemidos. Suas pernas estremeciam, o coração batia a mil, sua roupa por dentro e por fora começava a ficar molhada. Olhou novamente para trás, rumo à entrada do beco, para ter certeza que ninguém a seguia ou a observava. Marina naquele dia havia se arrumado de modo discreto, mas elegante e confortável para o trabalho: salto baixo, uma saia preta solta, uma camisa belíssima branca de botões, seu melhor sutiã de renda, delicado e branco. Pronta para um encontro consigo mesma...
        O contêiner balançando estava do lado direito, ela parou atrás do anterior, colocado na esquerda, uns dez metros antes. Escondeu-se atrás do grande objeto de plástico, o qual era novo e não cheirava mal. Pôs suas delicadas mãos no contêiner, esgueirou a cabeça para a direita, escondendo o resto do corpo atrás da enorme peça vermelha.         Conseguiu ver a cena: uma moça elegantíssima, de salto alto vermelho, saia azul marinho, encostada na parede de frente para um cara com uma roupa de trabalho pesado, algo como um macacão, o qual caía até a cintura. Ficou paralisada, não piscava, por suas coxas desciam rios de fevereiro. Ele prendera as mãos da moça em um gradil com um lenço, mordia seus seios de modo exato, sem fraqueza, sem pudor, sem além.
        Ao ficar na ponta dos pés para ver melhor, sentiu uma mão pegando-a por trás em seu quadril esquerdo e outra tampando sua boca rápida mas delicadamente. Sua reação foi de pânico, tentou gritar, mas umas uma voz firme, de um leve e inteligente perfume disse serenamente: “Procurando algo? Se quiser fique, se não, pode ir, sem problema”.
        Apesar do medo, a pegada por trás de modo exato e a voz serena a acalmaram um pouco, reconectando-a com as delícias do casal mais à frente, que não parava seu sexo insano.
        A mão que tapava sua boca começou a descer bem devagar para então pegar o quadril direito de Marina. Ela notou que estava em uma situação estranhíssima, não teve coragem de virar-se e conhecer a dona das mãos e da voz serena, gostosa e algo assustadora.
        Em quase três anos de relação com o namorido não sentira tamanho tremor no corpo. A voz travou quando foi dominada por trás, tudo ao mesmo tempo, susto, medo, desespero e, principalmente, por aquelas mãos e voz firmes e delicadas.
        O desespero passou quando notou que a pessoa a havia deixado solta, levemente solta. Entretanto, seu corpo continuava dando sinais de querer ir adiante.
        Desejou virar a cabeça para ver quem a dominara com apenas duas frases, mas a voz voltou à carga: “não vire, se quiser ver mais, caminhe para frente, devagarinho, sem olhar para trás, senão, dá meia volta lentamente e vai embora”. A imagem da mulher de pedra era imediata, mas sua cabeça rapidamente preferiu deixar as coisas do sagradas longe dali.
        Ao dar o primeiro passo para adiante, sentiu que estava tão molhada que seus sapatos haviam encharcada por dentro. Estancou sem saber o que fazer. Não precisava, a moça secou suas pernas delicadamente com um lenço macio, em seguida, cheirou-o como se buscasse conhecer o perfume da curiosa em um beco final de uma tarde na cidade grande.
        O casal havia diminuído o ritmo, agora se beijavam delicadamente. Ambas passaram por eles. Caminharam ao longo do beco que, agora, lhe parecia muito mais comprido. Sua cabeça já não sabia mais o que lhe dava tesão: se as mãos da moça que a conduzia com um toque entre o amor e a força, se a ansiedade por conhecer os confins do beco.
        Caminharam por mais uns vinte metros sem nada novo, apenas contêineres grafitados já não tão novos como os primeiros. Havia algumas latas de tinta vazias, restos de construção no rodapé das paredes. Mas, para sua surpresa, o beco continuava limpo e organizado.
        Nos dois prédios, havia uma sequência de portas de ferro dobráveis; lembrou do empório de secos & molhados próximo à sua casa quando criança. Começou a ouvir vozes aumentando a cada passo que elas davam.
        Viu à direita uma porta aberta, larga, o ambiente era meio escuro e, qual uma câmera de cinema, foi se aproximando, a mão de sua guia no seu ombro, sempre um passo atrás dela. Ao chegar, viu um ambiente delicadamente iluminado, luzes vermelhas, algumas poucas levemente verdes, outras azuis.
        Pararam na entrada, os cheiros eram vários, perfumes deliciosos vinham para fora misturados a outros cheiros carnais e fluidos. Teve certa dificuldade em compreender direito as cenas, tudo meio escuro. Sentiu novamente suas pernas molharem, fez menção para que a guia a limpasse, mas ela sussurrou safadamente em seu ouvido: ”Agora que você descobriu a senha para entrar, não estrague o passeio”.
        Mal terminara a frase, viu sair daquele breu três mulheres lindíssimas em cortes finos, pretos, quase capas, quase vestidos; caminhando com elas um homem lindo caminhava de quatro amarrado a uma guia. Todos os quatro sorriram para ela. Nada  disseram, se aproximaram, se agacharam diante de seu púbis e a cheiraram. Uma a uma, demorada e meticulosamente. Depois o homem, amarrado à guia, repetiu o mesmo gesto, ganhando em seguida um gostoso afago de suas donas.
        As três mulheres sorriram para a novata, em seguida olharam para a misteriosa mulher que conduzia Marina. A do meio se aproximou novamente, levantou delicada e vagarosamente com dois dedos a saia preta da jovem tradutora. Com a outra mão passou dois dedos do meio de sua coxa até sua calcinha, embebeu-os com o mel que escorria qual cachoeira na chapada. Soltou a saia, trouxe os dois dedos até a boca e sorveu tudo. Em seguida, beijou a guia com uma intensa língua e uma leve mordida nos lábios.
        Marina fez menção de beijar ambas mas recuou para não estragar o passeio. Já não sabia mais o que fazer a não ser sentir seu corpo ficar teso, seu coração disparado, os seios quase explodindo, as pernas a tremer. Rumaram os seis para o interior do mega salão de poucas luzes.
        Ao chegar em um outro salão, este já com alguma luz, viu pessoas e mais pessoas se entregando aos prazeres mais inimagináveis: gritos, gemidos, chicotadas, beijos, urros, cheiros, perfumes, suores, enormes camas com muitos corpos. Ao fundo, na parede esquerda pintada de vermelho, um neon enorme, apagava e acendia lentamente, no qual se podia ler “Donna libera”. Marina sorriu... deliciosamente.
 

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